Educar todos em um mesmo ambiente escolar e enxergar as diferenças não como problemas, mas como diversidade. Isso pode ampliar a visão de mundo e favorecer a convivência em sociedade. Assim é a educação inclusiva, que leva a educação especial para dentro da escola regular e cria um espaço para todos. De acordo com o Plano Nacional de Educação, que determina as diretrizes das atividades educativas no Brasil, nenhum aluno pode ser excluído da rede de ensino regular, sob alegação de deficiência. A gerente de Políticas Educacionais de Educação Inclusiva, Direitos Humanos e Cidadania de Pernambuco, Vera Braga, defende a convivência entre os alunos.
“Se o estudante não passa a conviver com todas as diferenças, não tem como ele respeitar o outro, a partir das suas diferenças, e reconhecer que o outro é diferente, mas que ele também é. Para que ele viva numa sociedade que respeite a todos, ele precisa aprender, desde as séries iniciais, essa noção de respeito.”
Mas não é suficiente receber os alunos com necessidades educacionais especiais. É preciso oferecer um plano pedagógico inclusivo. Na rede estadual de Pernambuco, quase três mil estudantes apresentam algum tipo de deficiência, de acordo com o censo de 2015. São crianças e adolescentes com graus variados de dificuldades que podem comprometer a concentração e o aprendizado. Para eles, o Plano Nacional de Educação também estabelece a articulação pedagógica entre o ensino regular e o atendimento educacional especializado. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, Pernambuco tem cerca de duzentas e cinquenta salas de recursos multifuncionais, para atender esses estudantes em turno complementar. Lá, o professor faz um diagnóstico e propõe ações para potencializar as habilidades de cada aluno. O Estado tem quatrocentos e setenta profissionais capacitados para atuar nas salas de recursos multifuncionais, e uma formação contínua que inclui todos os professores, já que esses estudantes estão inseridos no ensino regular. A chefe da Divisão de Educação Especial da Prefeitura do Recife, Lauricéia Tomaz, entende que a capacitação dos professores para ensinar alunos com deficiência tem reflexos diretos na construção de uma sociedade melhor.
“Como a escola é uma microcélula da sociedade, ela é responsável pela formação dos futuros cidadãos, todas as vezes que a gente investe no professor, consequentemente a gente está investindo numa sociedade mais justa e igualitária.”
Em Limoeiro, no Agreste Setentrional, a professora Ineuda Pereira criou o grupo musical Girassol, para estimular o desenvolvimento dos alunos com deficiência. Na sala de recursos da Escola Estadual Professora Suzel Galiza, ela ensaia com catorze estudantes, que cantam e tocam instrumentos.
“A comunidade escolar, da nossa escola, teve aquele impacto, de imediato, mas depois começaram a ver e a valorizá-los, fazer amizades e se interagir. E é visível para mim, e acho que para muitos da escola, da família, que houve um grande avanço.”
A gerente de Políticas Educacionais de Educação Inclusiva, Vera Braga, conta que muitas famílias mantêm os estudantes na escola por mais tempo do que deveriam, o que contribui para a exclusão social em outros ambientes.
“Por essas dificuldades da sociedade em compreender a diferença como a identidade do sujeito, muitas vezes gera preconceito. E os pais, as famílias, veem a escola como um lugar de proteção, mas termina por também excluí-lo, quando ele deveria estar em outras atividades, em outros espaços da sociedade, e fica um tempo maior na escola.”
Ainda segundo Vera, esse receio das famílias indica como o acolhimento da sociedade às pessoas com deficiência ainda é precário. A proposta da educação inclusiva é corrigir isso, mas, para uma verdadeira transformação, a rede de apoio deve ultrapassar os muros das escolas.
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